quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Absurdo 9º ANO -901

LEIA E FAÇA SEU TEXTO
Sim
Nas tardes da minha infância, onde tudo era moreno demais, aquele menino se misturava com as árvores e os meus planos se misturavam com ele. Planos precoces e platônicos.
Me lembrei então, crescida, daquela praça de um vasto interior em frente à outra, tão diferente e de diferentes realidades, condizentes, talvez mas por quê? -, com a minha maturidade.
Uma mulher de rosto cansado, mas cantante, varre a única cor da praça acinzentada.
À frente dos olhos, quase não servindo a ninguém do seu costume de antigamente: a praça.
Percebia, então, o difícil e feio fato de que muitas praças de uma grande cidade desse país prestam pra se passar rapidamente ou olhar ao longe; mesmo assim, é um ótimo horizonte.
Muitas vezes, não tenho a coragem de enfrentar a tristeza febril da realidade dos mendigos, dos loucos, dos meninos de rua, dos perigos vários de violência, dos pedidos de esmola, dos vendedores sem coração nem disconfiômetro de insistência, que perturbam a paz de quem procura as praças para seu descanso e lazer, vendendo histórias que muitas vezes não queremos ter.
Eu, vez por outra, as evito e me vejo longe delas. Quando pensei nisso, eu e aquela mulher éramos muito em comum: a compulsividade de varrer tudo e todos e o desejo de ter a tranqüilidade e o canto dos pássaros novamente, o som de crianças brincando.
Eu, que brinquei tanto em praças na minha infância, namorei e imaginei tantos namoros sob o cenário e pureza de uma praça, que vi tantas senhoras tagarelando suas histórias, meninos e algumas meninas, jogando bolinhas de gude, agora via, sob esse aspecto, uma praça doente.
Por favor, não varra as flores, elas não são a sujeira que suspeita. Noutros lugares longínquos que não este, tantas flores e folhas formam tapetes e cobrem as calçadas, e tantas praças magníficas tornam-se mais belas e aconchegantes. Se tantos podem usá-las para tudo, que pelo menos as flores e folhas sejam seu complemento. Que sejam de flores nossos tapetes.
É preciso varrer outras lacunas que se esgueiram na perversão e na crueldade dos homens. Na violência que nos afunda, na corrupção que nos mata, na passividade que nos oprime e não nos desperta confundindo-se com pacificidade. É preciso não curvar a dignidade.
Nesta confusão que fazemos entre orgânico e inorgânico, as árvores são a nossa maior ajuda.
Deixe as árvores e folhas perto de nós, sente-se junto de mim e eu lhe contarei outras histórias.
Ouça o beijo da primavera, cada pétala, cada gesto dizendo um SIM.
Veja esse video da Música da Vanessa da Mata- Absurdo e embaixo estará a letra da música.




Absurdo
(Vanessa da Mata)

Havia tanto pra lhe contar
A natureza
Mudava a forma o estado e o lugar
Era absurdo

Havia tanto pra lhe mostrar
Era tão belo
Mas olhe agora o estrago em que está

Tapetes fartos de folhas e flores
O chão do mundo se varre aqui
Essa idéia do natural ser sujo
Do inorgânico não se faz

Destruição é reflexo do humano
Se a ambição desumana o Ser
Essa imagem de infértil deserto
Nunca pensei que chegasse aqui

Auto-destrutivos,
Falsas vitimas nocivas?

Havia tanto pra aproveitar
Sem poderio
Tantas histórias, tantos sabores
Capins dourados

Havia tanto pra respirar
Era tão fino
Naqueles rios a gente banhava

Desmatam tudo e reclamam do tempo
Que ironia conflitante ser
Desequilíbrio que alimenta as pragas
Alterado grão, alterado pão

Sujamos rios, dependemos das águas
Tanto faz os meios violentos
Luxúria é ética do perverso vivo
Morto por dinheiro

Cores, tantas cores
Tais belezas
Foram-se
Versos e estrelas
Tantas fadas que eu não vi

Falsos bens, progresso?
Com a mãe, ingratidão
Deram o galinheiro
Pra raposa vigiar
Reflita sobre essa música, você pode mudar o nosso futuro !!!!

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Patrícia