sexta-feira, 25 de março de 2011
Projeto : Fazendo Cena 8º Ano -801

Pequena História do Teatro
O teatro surgiu a partir do desenvolvimento do homem, através das suas necessidades. O homem primitivo era caçador e selvagem, por isso sentia necessidade de dominar a natureza. Através destas necessidades surgem invenções como o desenho e o teatro na sua forma mais primitiva. O teatro primitivo era uma espécie de danças dramáticas colectivas que abordavam as questões do seu dia a dia, uma espécie de ritual de celebração, agradecimento ou perda. Estas pequenas evoluções deram-se com o passar de vários anos. Com o tempo o homem passou a realizar rituais sagrados na tentativa de apaziguar os efeitos da natureza, harmonizando-se com ela. Os mitos começaram a evoluir, surgem danças miméticas (compostas por mímica e música).
Com o surgimento da civilização egípcia os pequenos ritos tornaram-se grandes rituais formalizados e baseados em mitos. Cada mito conta como uma realidade veio a existir. Os mitos possuíam regras de acordo com o que propunha o estado e a religião, eram apenas a história do mito em ação, ou seja, em movimento. Estes rituais propagavam as tradições e serviam para o divertimento e a honra dos nobres. Na Grécia sim, surge o teatro. Surge o “ditirambo”, um tipo de procissão informal que servia para homenagear o Deus Dioniso (Deus do Vinho). Mais tarde o “ditirambo” evoluiu, tinha um coro formado por coreutas e pelo corifeu, eles cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionados a Deus. A grande inovação deu-se quando se criou o diálogo entre coreutas e o corifeu. Cria-se assim a acção na história e surgem os primeiros textos teatrais. No início fazia-se teatro nas ruas, depois tornou-se necessário um lugar. E assim surgiram os primeiros teatros.
Na Idade Média o teatro estava voltado para a religião, aliás não somente o teatro, mas as artes em geral. Nesse período o clero dominava a situação e tudo era voltado com a finalidade de manter a ordem através da religiosidade. Surgiram os "autos", que estão relacionados diretamente a religião.
A HISTÓRIA DO TEATRO: em tempos modernos e contemporâneos
Com Appia se pode compreender que com a simples concepção de que teatro é um espaço fechado, destinado à apresentação de peças que correspondem a uma determinada cultura e comunidade. A fim de representar manifestações de sentimentos em suas mais variáveis expressões e revelias. Durante muito tempo contava com o espaço e a proeza dos atores para o fazer teatral.
Dessa forma, ele coloca que com a inovação da luz combinando com as cores, a musicalidade e o desempenho do ator e a criatividade, a qualidade interpretativa são outras, o que favorece o clima e a ambientalização da cena em uma fase tridimensional.
Além disso, os efeitos estéticos do espaço físico criam uma atmosfera que conspiram harmoniosamente para o sucesso do espetáculo, dando ênfase a cena e possibilitando a economia visual.
Criando assim, um ciclo, segundo a teoria de Appia, os atores contracenam com a luz a qual, por sua vez, contracena com a música. Dessa forma, considera-se que a controlada luz no palco unifica e realiza as intenções expressivas.
Assim, compreende-se que o teatro começa a trabalhar em prol do espaço e formas estéticas do espaço físico para dar qualidade a ação.
Daí a importância dos pontos de apoio para dar condições do ator se locomover com maior capacidade e qualidade durante a cena utilizando e usufruindo da questão do movimento econômico, considerando o fato de que ele é o elemento vivo e plástico e o centro da cena.
Para se pensar o ator como um corpo no espaço é necessário considerar que dentro do ambiente cênico é o ator que o estimula, confronta, modifica contradições em alternativas criativas e condizentes.
Já com Stanislavski o aprendizado se voltou para a necessidade de criar um espetáculo que vá atrair um grande público, significa atender a exigências e expectativas do público, no que tange a harmonia entre os artefatos tecnológicos e humanos, em suas combinações de cores, luz, musicalidade e movimento que criam um mundo tridimensional, com jogo de luzes e sobras que aumenta o valor plástico do universo cênico, e da mistura de ficção e realidade diante do paradoxo teatral a mais pura magia do vislumbre da arte.
Antes de falar da obra acredito ser fundamental falar do autor, Konstantin Sergueievitch Alekseiev passou a ser mundialmente conhecido como Stanislavski, por sua obra que despedaça os passos da formação do ator, criação do papel e construção da personagem. Segundo uma pesquisa que realizei na internet no e encontrei esse texto que faz parte da Coletânea “Gente de Teatro, escrito por William Mendonça que descreve que Stanislavski, nascido a 5 de janeiro de 1862, em Moscou, e morreu na mesma cidade, em 7 de agosto de 1938.
Mendonça coloca que a sua carreira teve início em 1885, quando ingressou na Escola Teatral de Moscou. Desentendeu-se com a família, deixou a escola e prosseguiu como autodidata. Pouco tempo depois, em 1889, começou a dirigir, alcançando êxitos no teatro russo e mostrando talento. Em 1897 acontece o seu encontro com Nemirovitch-Dantchenko, com quem criou, no ano seguinte, o Teatro de Arte de Moscou.
Reflete que Stanislavski foi o pioneiro em montagens de textos de Tchekhov – certamente o mais importante autor teatral russo. Em 1905, acrescentou ao teatro o “studio” experimental, base de sua pedagogia e crítica do teatro. Celebrizou-se, a partir desta época, a frente do Teatro de Arte, com temporadas na Europa e nos Estados Unidos. As principais montagens que realizou foram de “A gaivota”, de Tchekhov; “Othelo” e “Julio César”, de Shakespeare; e “O pássaro azul”, de Maeterlink.
Dessa forma, pode-se afirma que para um autor criar uma personagem precisa estudar suas características, e diversos aspectos que a envolve, como aspectos sociais, religiosos, culturais e personificar tudo.
A obra em discussão é a peça “A Gaivota”, de Anton Tchekhov, nomeada como uma comédia que é composta de quatro atos. O primeiro ato ocorre em uma fazenda de Sórin, a personagem da peça, a beira do lago. Percebe-se que Stanislavski lança mão de efeitos especiais para tornar a cena real. Ainda neste ato, as personagens são apresentadas, e inicia o enredo como um jogo, onde o espectador faz a montagem e da veracidade a cada momento descobre mais informações no desenrolar do enredo.
O que se pode notar é que o caráter psicológico, o perfil, de cada uma das personagens são marcantes e as histórias de misturam criando um elo entre a paixão e a traição, fala da necessidade de ser feliz e se completar com outro, um amor não correspondido.
Já no segundo ato, as personagens começam conversando na varanda da casa da fazenda, onde revela parte da mistura dos sentimentos, dos enganos e desenganos. A partir de momento a peça toma outro rumo, algumas personagens saem de cena, cria-se situações de constrangimento e paixões platônicas.
Assim, que inicia o terceiro ato desenrola a drama, acontecem algumas mudanças, a história revela e desvela muita coisa, onde apresenta as desilusões e revelações de segredos antigos, que toma a cena e deixa um suspense no ar.
Para terminar, no último ato, as personagens aprecem como se fossem revelar ao espectador o desenrolar do enredo, dando soluções a drama, refletindo sobre suas experiências e sofrimento, um a situação que mistura conflito interno vivido por cada personagem e as situações do dia-a-dia de muitas famílias, que viveram situações de amores impossíveis e paixões platônicas.
Acredito que a peça foi realizada a partir de idéias expressionistas de Tchekov, em meados do século XIX, que apresenta situações do dia-a-dia de uma família russa aristocrata em declínio.
A peça é arquitetar a partir da realidade de meados da segunda metade do século XIX, apresenta o cotidiano de uma família russa aristocrata em plena falência.
Em suma, é um texto complexo que permite diversas leituras, inclusive, de gênero como drama, comédia, farsa, romance, etc., em sentido real da aproximação das cenas ao contexto vivido, onde o espectador reflete sobre o enredo de forma crítica e filosófica.
O texto fala e reflete sobre a importância da preparação do ator em técnicas para desenvolver a performance. Veja fica bem claro isso nessa parte:
"A cena toda é exteriorizável em função de seus explicítos fundamentos estudados durante o processo de exploração do papel por parte do ator. O interior é a intimidade cada vez mais intensificada com o papel. Desdobra-se o ator em observador e agente, sujeito e objeto de sua atividade de representação, CORRIGINDO-SE, MODIFICANDO-SE PARA INTERPRETAR".
Stanislavski reflete em seu texto a necessidade do uso de técnicas para garantir a aproximação do ator a personalidade da personagem, e deixa claro que o ator e a personagem são diferentes. Acrescenta que não recomenda que se permita representar exteriormente o que não se experimentou interiormente.
Para Stanislaviski a medida que internaliza e naturaliza seus atos o ator desenvolve um tipo de controle sobre a ação e passa a ser uma espécie de observador, e nesse processo passa a controlar situações desnecessárias de desgaste, tornando a performance flexível.
Portanto, o texto fala sobre a importância do treinamento e da concentração, para a aproximação do ato cênico evitando tensões musculares e naturalizando os movimentos.
Em Meyerhold , de acordo com a proposta da leitura proposta percebe-se que o teatro naturaliza a cena propondo uma cópia do estilo histórico, considerando o rosto como interprete essencial das ações do ator, abandonando todos os outros meios de ações. Revela que a metodologia análise do processo de criação teatral faz com que o olhar do diretor seja mais amplo diante da prática contemporânea de atuar do ator.
Assim, fala da importância dos movimentos e de estabelecer o um elo entre o eixo e a rotação, para criar a estabilidade, e é de fundamental importância para compreendermos a necessidade do treinamento para tornar voluntárias as atividades tidas como involuntárias. Para assim, flexibilizar o tônus corporal, podemos produzir movimentos econômicos e focados para o dia-a-dia, e que, com objetivo determinado, também sirvam de apoio para a produção de voz em altas intensidades, contribuído para o exercício de profissões como a de atores, cantores e professores, e como também, usar técnicas para aprender o texto, focando a respiração e a intenção.
O foco do texto é refletir sobre a importância da preparação do ator, e do equilíbrio, como fonte de adequação ao ato de encenar, o que pode-se fazer um elo com as experiências vivenciadas nas aulas de Laboratório de Teatro, ministrada pela professora Sulian.
Dessa forma, a contribuição de Meyerhold foi encontrar e protagonizar novos caminhos para a preparação da interpretação do ator, preocupando-se com a capacitação profissional.
Sendo assim, Meyerhold como seguidor de Stanislaviki, estabeleceu estudos entre a tradição teatral do oriente e ocidente para fundamentar a biomecânica teatral.
Então, segundo essa teoria a biomecânica transforma o corpo do ator como uma ferramenta, embasado na excussão de exercícios de tarefas simples, momentâneas.
Assim, os textos refletem sobre a importância da formação do ator, do treinamento e da capacidade de executar movimentos com equilíbrio e destreza, como gestos e movimentos que expressão sentimentos, como o corpo que produz som.
Brecht , foi "Marxista desde do final de 1920, fez o seu teatro épico, onde sua prática é um resumo dos experimentos teatrais de Erwin Piscator e Vsecolod Emilevitch Meyerhod, que partem do conceito de estranhamento,do formalista russo Viktor Chklovski, do teatro chinês e do teatral experimental da Rússia Soviétiva. Em suma, o seu trabalho pressupõem uma crítica ao desenvolvimento das relações humanas com relação ao sistema capitalista" .
Então, suas obras também foram influências pela teoria de Stanislavski, que fundamentou seu teatro épico, o pode-se afirma que ele joga com as questões sociológicas, ou seja, comportamento do ser humano em sociedade e as leis que agregam. Para ele, a reforma baseia-se no acatamento da diferença entre a realidade e a ficção.
Segundo Rosenfeld, "Foi desde 1926 que Brecht começou a falar de ‘teatro épico’, depois de pôr de lado o termo ‘drama épico’, visto que o cunho narrativo da sua obra somente se completa no palco" (ROSENLD, 1965, p. 146), é possível inferir, portanto, a importância que a encenação tem para os textos brechtianos. É só através da atitude dos atores, do cenário, da música, dos sons e até do silêncio que seu pensamento se completa, só através destes elementos que seu texto causará o efeito desejado, caso o contrário seu não causará o impacto devido .
Portanto, Bertold Brecht é acredita que é necessário um conjunto de comportamentos significativos a serem utilizados em palco que os homens adotem uns diantes dos outros para dar simbologia ao contexto.
Segundo a leitura das discussões do fórum Grotowski, procura estabelecer um elo entre o ator e a platéia em contato direto, formulando a idéia de teatro pobre, onde os únicos recursos que são usados são o palco e o ator. De acordo com sua teoria o ator se doa por inteiro para a ação teatral e, sustentava ainda a filosofia de valores na arte cênica. Pregando assim, valores com fundo religioso. E mas, em busca de um ser maior, uma transcendência superior. Para ele, os elementos fundamentais para a arte cênica são ator/platéia/palco o que foge a regra de Stanislavski e Brecht e outros que já estudamos.
Seguindo esse pensamento, o pobre em seu teatro significa usar o mínimo de recurso possível para utilizar o máximo do ator ou da atriz. Para ele o que realmente interessa é a preparação do ator para controlar seus movimentos de forma precisa e plena.
Desse modo, ele acreditava que a platéia deveria estar mais próxima do ator possível para criar um ambientalização da cena, um face-a-face. Assim, coloca que os atores deveriam trabalhar com a mente e o coração em perfeita sintonia.
Grotowski, tinha como fundamento a formação e preparação de atores, o auto-controle do seu corpo em movimento em performance.
De acordo com as leituras realizadas nos materais disponibilizados no AVA, percebe-se que o teatro de Beckett é inovador e totalmente inerente, que coloca o moderno e pós-moderno em foco, parte do pressuposto do contra ataque mediado pelo corpo presente ou não em cena.
Para ele, "constitui-se em um ataque às conveções teatrais, assim como uma inovação em ficção constitui-se em um ataque às convenções narrativas". Onde o papel do ator é recriado pela intenção da interpretação. Tornando-se percussor do teatro do absurdo com críticas contra a modernidade, banalizando. O texto coloca que nesse ataque, Beckett despojou o teatro de sua teatralidade ostensiva, reintroduziu temas metafísico e indeterminação na autoconfiante arte plásticas do teatro, o que vemos em tecnologias na escola 2, com as propostas do teatro tridimensional, o que comprova quando coloca que “agoridade da personagem, através delevar a platéia a questionar o que ele pensa estar assistindo, ao disponibilizar para nós figuras que não estão aqui”. O que é retratado no seguinte fragmento do ACT WITHOUT WORDS (1995), “Um homem é lançado para o palco, vindo da direita do fundo. Ele cai, levanta-se de imediato, tira o pó de si, coloca-se em paralelo e põe-se a pensar”. Beckett, dessa forma, renova seu ataque a materialidade teatral ou contra a materialidade da personagem.
Todas as teorias discutidas são essenciais para compreendermos a evolução histórica do teatro, uma vez que o mesmo sofreu grandes modificações e muitas feitas por revolucionários que desfiguraram o palco e o ator dando-lhes novas dimensões e criando espetáculos tridimensionais com o uso da tecnologia e criatividade humana.
A HISTÓRIA DO TEATRO: em tempos modernos e contemporâneos
Com Appia se pode compreender que com a simples concepção de que teatro é um espaço fechado, destinado à apresentação de peças que correspondem a uma determinada cultura e comunidade. A fim de representar manifestações de sentimentos em suas mais variáveis expressões e revelias. Durante muito tempo contava com o espaço e a proeza dos atores para o fazer teatral.
Dessa forma, ele coloca que com a inovação da luz combinando com as cores, a musicalidade e o desempenho do ator e a criatividade, a qualidade interpretativa são outras, o que favorece o clima e a ambientalização da cena em uma fase tridimensional.
Além disso, os efeitos estéticos do espaço físico criam uma atmosfera que conspiram harmoniosamente para o sucesso do espetáculo, dando ênfase a cena e possibilitando a economia visual.
Criando assim, um ciclo, segundo a teoria de Appia, os atores contracenam com a luz a qual, por sua vez, contracena com a música. Dessa forma, considera-se que a controlada luz no palco unifica e realiza as intenções expressivas.
Assim, compreende-se que o teatro começa a trabalhar em prol do espaço e formas estéticas do espaço físico para dar qualidade a ação.
Daí a importância dos pontos de apoio para dar condições do ator se locomover com maior capacidade e qualidade durante a cena utilizando e usufruindo da questão do movimento econômico, considerando o fato de que ele é o elemento vivo e plástico e o centro da cena.
Para se pensar o ator como um corpo no espaço é necessário considerar que dentro do ambiente cênico é o ator que o estimula, confronta, modifica contradições em alternativas criativas e condizentes.
Já com Stanislavski o aprendizado se voltou para a necessidade de criar um espetáculo que vá atrair um grande público, significa atender a exigências e expectativas do público, no que tange a harmonia entre os artefatos tecnológicos e humanos, em suas combinações de cores, luz, musicalidade e movimento que criam um mundo tridimensional, com jogo de luzes e sobras que aumenta o valor plástico do universo cênico, e da mistura de ficção e realidade diante do paradoxo teatral a mais pura magia do vislumbre da arte.
Antes de falar da obra acredito ser fundamental falar do autor, Konstantin Sergueievitch Alekseiev passou a ser mundialmente conhecido como Stanislavski, por sua obra que despedaça os passos da formação do ator, criação do papel e construção da personagem. Segundo uma pesquisa que realizei na internet no e encontrei esse texto que faz parte da Coletânea “Gente de Teatro, escrito por William Mendonça que descreve que Stanislavski, nascido a 5 de janeiro de 1862, em Moscou, e morreu na mesma cidade, em 7 de agosto de 1938.
Mendonça coloca que a sua carreira teve início em 1885, quando ingressou na Escola Teatral de Moscou. Desentendeu-se com a família, deixou a escola e prosseguiu como autodidata. Pouco tempo depois, em 1889, começou a dirigir, alcançando êxitos no teatro russo e mostrando talento. Em 1897 acontece o seu encontro com Nemirovitch-Dantchenko, com quem criou, no ano seguinte, o Teatro de Arte de Moscou.
Reflete que Stanislavski foi o pioneiro em montagens de textos de Tchekhov – certamente o mais importante autor teatral russo. Em 1905, acrescentou ao teatro o “studio” experimental, base de sua pedagogia e crítica do teatro. Celebrizou-se, a partir desta época, a frente do Teatro de Arte, com temporadas na Europa e nos Estados Unidos. As principais montagens que realizou foram de “A gaivota”, de Tchekhov; “Othelo” e “Julio César”, de Shakespeare; e “O pássaro azul”, de Maeterlink.
Dessa forma, pode-se afirma que para um autor criar uma personagem precisa estudar suas características, e diversos aspectos que a envolve, como aspectos sociais, religiosos, culturais e personificar tudo.
A obra em discussão é a peça “A Gaivota”, de Anton Tchekhov, nomeada como uma comédia que é composta de quatro atos. O primeiro ato ocorre em uma fazenda de Sórin, a personagem da peça, a beira do lago. Percebe-se que Stanislavski lança mão de efeitos especiais para tornar a cena real. Ainda neste ato, as personagens são apresentadas, e inicia o enredo como um jogo, onde o espectador faz a montagem e da veracidade a cada momento descobre mais informações no desenrolar do enredo.
O que se pode notar é que o caráter psicológico, o perfil, de cada uma das personagens são marcantes e as histórias de misturam criando um elo entre a paixão e a traição, fala da necessidade de ser feliz e se completar com outro, um amor não correspondido.
Já no segundo ato, as personagens começam conversando na varanda da casa da fazenda, onde revela parte da mistura dos sentimentos, dos enganos e desenganos. A partir de momento a peça toma outro rumo, algumas personagens saem de cena, cria-se situações de constrangimento e paixões platônicas.
Assim, que inicia o terceiro ato desenrola a drama, acontecem algumas mudanças, a história revela e desvela muita coisa, onde apresenta as desilusões e revelações de segredos antigos, que toma a cena e deixa um suspense no ar.
Para terminar, no último ato, as personagens aprecem como se fossem revelar ao espectador o desenrolar do enredo, dando soluções a drama, refletindo sobre suas experiências e sofrimento, um a situação que mistura conflito interno vivido por cada personagem e as situações do dia-a-dia de muitas famílias, que viveram situações de amores impossíveis e paixões platônicas.
Acredito que a peça foi realizada a partir de idéias expressionistas de Tchekov, em meados do século XIX, que apresenta situações do dia-a-dia de uma família russa aristocrata em declínio.
A peça é arquitetar a partir da realidade de meados da segunda metade do século XIX, apresenta o cotidiano de uma família russa aristocrata em plena falência.
Em suma, é um texto complexo que permite diversas leituras, inclusive, de gênero como drama, comédia, farsa, romance, etc., em sentido real da aproximação das cenas ao contexto vivido, onde o espectador reflete sobre o enredo de forma crítica e filosófica.
O texto fala e reflete sobre a importância da preparação do ator em técnicas para desenvolver a performance. Veja fica bem claro isso nessa parte:
"A cena toda é exteriorizável em função de seus explicítos fundamentos estudados durante o processo de exploração do papel por parte do ator. O interior é a intimidade cada vez mais intensificada com o papel. Desdobra-se o ator em observador e agente, sujeito e objeto de sua atividade de representação, CORRIGINDO-SE, MODIFICANDO-SE PARA INTERPRETAR".
Stanislavski reflete em seu texto a necessidade do uso de técnicas para garantir a aproximação do ator a personalidade da personagem, e deixa claro que o ator e a personagem são diferentes. Acrescenta que não recomenda que se permita representar exteriormente o que não se experimentou interiormente.
Para Stanislaviski a medida que internaliza e naturaliza seus atos o ator desenvolve um tipo de controle sobre a ação e passa a ser uma espécie de observador, e nesse processo passa a controlar situações desnecessárias de desgaste, tornando a performance flexível.
Portanto, o texto fala sobre a importância do treinamento e da concentração, para a aproximação do ato cênico evitando tensões musculares e naturalizando os movimentos.
Em Meyerhold , de acordo com a proposta da leitura proposta percebe-se que o teatro naturaliza a cena propondo uma cópia do estilo histórico, considerando o rosto como interprete essencial das ações do ator, abandonando todos os outros meios de ações. Revela que a metodologia análise do processo de criação teatral faz com que o olhar do diretor seja mais amplo diante da prática contemporânea de atuar do ator.
Assim, fala da importância dos movimentos e de estabelecer o um elo entre o eixo e a rotação, para criar a estabilidade, e é de fundamental importância para compreendermos a necessidade do treinamento para tornar voluntárias as atividades tidas como involuntárias. Para assim, flexibilizar o tônus corporal, podemos produzir movimentos econômicos e focados para o dia-a-dia, e que, com objetivo determinado, também sirvam de apoio para a produção de voz em altas intensidades, contribuído para o exercício de profissões como a de atores, cantores e professores, e como também, usar técnicas para aprender o texto, focando a respiração e a intenção.
O foco do texto é refletir sobre a importância da preparação do ator, e do equilíbrio, como fonte de adequação ao ato de encenar, o que pode-se fazer um elo com as experiências vivenciadas nas aulas de Laboratório de Teatro, ministrada pela professora Sulian.
Dessa forma, a contribuição de Meyerhold foi encontrar e protagonizar novos caminhos para a preparação da interpretação do ator, preocupando-se com a capacitação profissional.
Sendo assim, Meyerhold como seguidor de Stanislaviki, estabeleceu estudos entre a tradição teatral do oriente e ocidente para fundamentar a biomecânica teatral.
Então, segundo essa teoria a biomecânica transforma o corpo do ator como uma ferramenta, embasado na excussão de exercícios de tarefas simples, momentâneas.
Assim, os textos refletem sobre a importância da formação do ator, do treinamento e da capacidade de executar movimentos com equilíbrio e destreza, como gestos e movimentos que expressão sentimentos, como o corpo que produz som.
Brecht , foi "Marxista desde do final de 1920, fez o seu teatro épico, onde sua prática é um resumo dos experimentos teatrais de Erwin Piscator e Vsecolod Emilevitch Meyerhod, que partem do conceito de estranhamento,do formalista russo Viktor Chklovski, do teatro chinês e do teatral experimental da Rússia Soviétiva. Em suma, o seu trabalho pressupõem uma crítica ao desenvolvimento das relações humanas com relação ao sistema capitalista" .
Então, suas obras também foram influências pela teoria de Stanislavski, que fundamentou seu teatro épico, o pode-se afirma que ele joga com as questões sociológicas, ou seja, comportamento do ser humano em sociedade e as leis que agregam. Para ele, a reforma baseia-se no acatamento da diferença entre a realidade e a ficção.
Segundo Rosenfeld, "Foi desde 1926 que Brecht começou a falar de ‘teatro épico’, depois de pôr de lado o termo ‘drama épico’, visto que o cunho narrativo da sua obra somente se completa no palco" (ROSENLD, 1965, p. 146), é possível inferir, portanto, a importância que a encenação tem para os textos brechtianos. É só através da atitude dos atores, do cenário, da música, dos sons e até do silêncio que seu pensamento se completa, só através destes elementos que seu texto causará o efeito desejado, caso o contrário seu não causará o impacto devido .
Portanto, Bertold Brecht é acredita que é necessário um conjunto de comportamentos significativos a serem utilizados em palco que os homens adotem uns diantes dos outros para dar simbologia ao contexto.
Segundo a leitura das discussões do fórum Grotowski, procura estabelecer um elo entre o ator e a platéia em contato direto, formulando a idéia de teatro pobre, onde os únicos recursos que são usados são o palco e o ator. De acordo com sua teoria o ator se doa por inteiro para a ação teatral e, sustentava ainda a filosofia de valores na arte cênica. Pregando assim, valores com fundo religioso. E mas, em busca de um ser maior, uma transcendência superior. Para ele, os elementos fundamentais para a arte cênica são ator/platéia/palco o que foge a regra de Stanislavski e Brecht e outros que já estudamos.
Seguindo esse pensamento, o pobre em seu teatro significa usar o mínimo de recurso possível para utilizar o máximo do ator ou da atriz. Para ele o que realmente interessa é a preparação do ator para controlar seus movimentos de forma precisa e plena.
Desse modo, ele acreditava que a platéia deveria estar mais próxima do ator possível para criar um ambientalização da cena, um face-a-face. Assim, coloca que os atores deveriam trabalhar com a mente e o coração em perfeita sintonia.
Grotowski, tinha como fundamento a formação e preparação de atores, o auto-controle do seu corpo em movimento em performance.
De acordo com as leituras realizadas nos materais disponibilizados no AVA, percebe-se que o teatro de Beckett é inovador e totalmente inerente, que coloca o moderno e pós-moderno em foco, parte do pressuposto do contra ataque mediado pelo corpo presente ou não em cena.
Para ele, "constitui-se em um ataque às conveções teatrais, assim como uma inovação em ficção constitui-se em um ataque às convenções narrativas". Onde o papel do ator é recriado pela intenção da interpretação. Tornando-se percussor do teatro do absurdo com críticas contra a modernidade, banalizando. O texto coloca que nesse ataque, Beckett despojou o teatro de sua teatralidade ostensiva, reintroduziu temas metafísico e indeterminação na autoconfiante arte plásticas do teatro, o que vemos em tecnologias na escola 2, com as propostas do teatro tridimensional, o que comprova quando coloca que “agoridade da personagem, através delevar a platéia a questionar o que ele pensa estar assistindo, ao disponibilizar para nós figuras que não estão aqui”. O que é retratado no seguinte fragmento do ACT WITHOUT WORDS (1995), “Um homem é lançado para o palco, vindo da direita do fundo. Ele cai, levanta-se de imediato, tira o pó de si, coloca-se em paralelo e põe-se a pensar”. Beckett, dessa forma, renova seu ataque a materialidade teatral ou contra a materialidade da personagem.
Todas as teorias discutidas são essenciais para compreendermos a evolução histórica do teatro, uma vez que o mesmo sofreu grandes modificações e muitas feitas por revolucionários que desfiguraram o palco e o ator dando-lhes novas dimensões e criando espetáculos tridimensionais com o uso da tecnologia e criatividade humana.
terça-feira, 22 de março de 2011
Jogo Mitológico 7º Ano 701
Coloque a figura, dos monstros, da Mitologia Grega no seu devido lugar.
Você só tem 3 minutos.
http://www.sohistoria.com.br/jogos/popupJogo.php?jogo=monstros
Você só tem 3 minutos.
http://www.sohistoria.com.br/jogos/popupJogo.php?jogo=monstros
Deuses Gregos - Jogo 7º ano 701
Deuses Gregos - Jogo
Jogo sobre os Deuses Gregos. Você só precisa relacionar o nome do Deus com suas características.
http://www.sohistoria.com.br/jogos/popupJogo.php?jogo=deuses_mitologicos
Jogo sobre os Deuses Gregos. Você só precisa relacionar o nome do Deus com suas características.
http://www.sohistoria.com.br/jogos/popupJogo.php?jogo=deuses_mitologicos
segunda-feira, 21 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Avaliação do Magistério
Atenção
QUERIDAS ALUNAS DO MAGISTÉRIO ,
Um texto para vocês estudarem para a avaliação , haverá duas questões lá .Leiam e faça sua reflexão:
Alfabetização e Letramento
Alfabetização e Letramento:
Repensando o Ensino da Língua Escrita
Se, no início da década de 80, os estudos acerca da psicogênese da língua escrita trouxeram aos educadores o entendimento de que a alfabetização, longe de ser a apropriação de um código, envolve um complexo processo de elaboração de hipóteses sobre a representação lingüística; os anos que se seguiram, com a emergência dos estudos sobre o letramento [i] , foram igualmente férteis na compreensão da dimensão sócio-cultural da língua escrita e de seu aprendizado. Em estreita sintonia, ambos os movimentos, nas suas vertentes teórico-conceituais, romperam definitivamente com a segregação dicotômica entre o sujeito que aprende e o professor que ensina. Romperam também com o reducionismo que delimitava a sala de aula como o único espaço de aprendizagem.
Reforçando os princípios antes propalados por Vygotsky e Piaget, a aprendizagem se processa em uma relação interativa entre o sujeito e a cultura em que vive. Isso quer dizer que, ao lado dos processos cognitivos de elaboração absolutamente pessoal (ninguém aprende pelo outro), há um contexto que, não só fornece informações específicas ao aprendiz, como também motiva, dá sentido e “concretude” ao aprendido, e ainda condiciona suas possibilidades efetivas de aplicação e uso nas situações vividas. Entre o homem e o saberes próprios de sua cultura, há que se valorizar os inúmeros agentes mediadores da aprendizagem (não só o professor, nem só a escola, embora estes sejam agentes privilegiados pela sistemática pedagogicamente planejada, objetivos e intencionalidade assumida).
O objetivo do presente artigo é apresentar o impacto dos estudos sobre o letramento para as práticas alfabetizadoras.
Capitaneada pelas publicações de Angela Kleiman, (95) Magda Soares (95, 98) e Tfouni (95), a concepção de letramento contribuiu para redimensionar a compreensão que hoje temos sobre: a) as dimensões do aprender a ler e a escrever; b) o desafio de ensinar a ler e a escrever; c) o significado do aprender a ler e a escrever, c) o quadro da sociedade leitora no Brasil d) os motivos pelos quais tantos deixam de aprender a ler e a escrever, e e) as próprias perspectivas das pesquisas sobre letramento.
As dimensões do aprender a ler e a escrever
Durante muito tempo a alfabetização foi entendida como mera sistematização do “B + A = BA”, isto é, como a aquisição de um código fundado na relação entre fonemas e grafemas. Em uma sociedade constituída em grande parte por analfabetos e marcada por reduzidas práticas de leitura e escrita, a simples consciência fonológica que permitia aos sujeitos associar sons e letras para produzir/interpretar palavras (ou frases curtas) parecia ser suficiente para diferenciar o alfabetizado do analfabeto.
Com o tempo, a superação do analfabetismo em massa e a crescente complexidade de nossas sociedades fazem surgir maiores e mais variadas práticas de uso da língua escrita. Tão fortes são os apelos que o mundo letrado exerce sobre as pessoas que já não lhes basta a capacidade de desenhar letras ou decifrar o código da leitura. Seguindo a mesma trajetória dos países desenvolvidos, o final do século XX impôs a praticamente todos os povos a exigência da língua escrita não mais como meta de conhecimento desejável, mas como verdadeira condição para a sobrevivência e a conquista da cidadania. Foi no contexto das grandes transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas que o termo “letramento” surgiu [ii] , ampliando o sentido do que tradicionalmente se conhecia por alfabetização (Soares, 2003).
Hoje, tão importante quanto conhecer o funcionamento do sistema de escrita é poder se engajar em práticas sociais letradas, respondendo aos inevitáveis apelos de uma cultura grafocêntrica. Assim,
Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade (Tfouni, 1995, p. 20).
Com a mesma preocupação em diferenciar as práticas escolares de ensino da língua escrita e a dimensão social das várias manifestações escritas em cada comunidade, Kleiman, apoiada nos estudos de Scribner e Cole, define o letramento como
... um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos. As práticas específicas da escola, que forneciam o parâmetro de prática social segundo a qual o letramento era definido, e segundo a qual os sujeitos eram classificados ao longo da dicotomia alfabetizado ou não-alfabetizado, passam a ser, em função dessa definição, apenas um tipo de prática – de fato, dominante – que desenvolve alguns tipos de habilidades mas não outros, e que determina uma forma de utilizar o conhecimento sobre a escrita. (1995, p. 19)
Mais do que expor a oposição entre os conceitos de “alfabetização” e “letramento”, Soares valoriza o impacto qualitativo que este conjunto de práticas sociais representa para o sujeito, extrapolando a dimensão técnica e instrumental do puro domínio do sistema de escrita:
Alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita. Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita denomina-se Letramento que implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos (In Ribeiro, 2003, p. 91).
Ao permitir que o sujeito interprete, divirta-se, seduza, sistematize, confronte, induza, documente, informe, oriente-se, reivindique, e garanta a sua memória, o efetivo uso da escrita garante-lhe uma condição diferenciada na sua relação com o mundo, um estado não necessariamente conquistado por aquele que apenas domina o código (Soares, 1998). Por isso, aprender a ler e a escrever implica não apenas o conhecimento das letras e do modo de decodificá-las (ou de associá-las), mas a possibilidade de usar esse conhecimento em benefício de formas de expressão e comunicação, possíveis, reconhecidas, necessárias e legítimas em um determinado contexto cultural. Em função disso,
Talvez a diretriz pedagógica mais importante no trabalho (...dos professores), tanto na pré-escola quanto no ensino médio, seja a utilização da escrita verdadeira [iii] nas diversas atividades pedagógicas, isto é, a utilização da escrita, em sala, correspondendo às formas pelas quais ela é utilizada verdadeiramente nas práticas sociais. Nesta perspectiva, assume-se que o ponto de partida e de chegada do processo de alfabetização escolar é o texto: trecho falado ou escrito, caracterizado pela unidade de sentido que se estabelece numa determinada situação discursiva. (Leite, p. 25)
O desafio de ensinar a ler e a escreverPartindo da concepção da língua escrita como sistema formal (de regras, convenções e normas de funcionamento) que se legitima pela possibilidade de uso efetivo nas mais diversas situações e para diferentes fins, somos levados a admitir o paradoxo inerente à própria língua: por um lado, uma estrutura suficientemente fechada que não admite transgressões sob pena de perder a dupla condição de inteligibilidade e comunicação; por outro, um recurso suficientemente aberto que permite dizer tudo, isto é, um sistema permanentemente disponível ao poder humano de criação (Geraldi, 93).
Como conciliar essas duas vertentes da língua em um único sistema de ensino? Na análise dessa questão, dois embates merecem destaque: o conceitual e o ideológico.
1) O embate conceitual
Tendo em vista a independência e a interdependência entre alfabetização e letramento (processos paralelos [iv] , simultâneos ou não [v] , mas que indiscutivelmente se complementam), alguns autores contestam a distinção de ambos os conceitos, defendendo um único e indissociável processo de aprendizagem (incluindo a compreensão do sistema e sua possibilidade de uso). Em uma concepção progressista de “alfabetização” (nascida em oposição às práticas tradicionais, a partir dos estudos psicogenéticos dos anos 80), o processo de alfabetização incorpora a experiência do letramento e este não passa de uma redundância em função de como o ensino da língua escrita já é concebido. Questionada formalmente sobre a “novidade conceitual” da palavra “letramento”, Emilia Ferreiro explicita assim a sua rejeição ao uso do termo:
Há algum tempo, descobriram no Brasil que se poderia usar a expressão letramento. E o que aconteceu com a alfabetização? Virou sinônimo de decodificação. Letramento passou a ser o estar em contato com distintos tipos de texto, o compreender o que se lê. Isso é um retrocesso. Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica. (2003, p. 30)
Note-se, contudo, que a oposição da referida autora circunscreve-se estritamente ao perigo da dissociação entre o aprender a escrever e o usar a escrita (“retrocesso” porque representa a volta da tradicional compreensão instrumental da escrita). Como árdua defensora de práticas pedagógicas contextualizadas e significativa para o sujeito, o trabalho de Emília Ferreiro, tal como o dos estudiosos do letramento, apela para o resgate das efetivas práticas sociais de língua escrita o que faz da oposição entre eles um mero embate conceitual.
Tomando os dois extremos como ênfases nefastas à aprendizagem da língua escrita (priorizando a aprendizagem do sistema ou privilegiando apenas as práticas sociais de aproximação do aluno com os textos), Soares defende a complementaridade e o equilíbrio entre ambos e chama a atenção para o valor da distinção terminológica:
Porque alfabetização e letramento são conceitos freqüentemente confundidos ou sobrepostos, é importante distingui-los, ao mesmo tempo que é importante também aproximá-los: a distinção é necessária porque a introdução, no campo da educação, do conceito de letramento tem ameaçado perigosamente a especificidade do processo de alfabetização; por outro lado, a aproximação é necessária porque não só o processo de alfabetização, embora distinto e específico, altera-se e reconfigura-se no quadro do conceito de letramento, como também este é dependente daquele. (2003, p. 90)
Assim como a autora, é preciso reconhecer o mérito teórico e conceitual de ambos os termos. Balizando o movimento pendular das propostas pedagógicas (não raro transformados em modismos banais e mal assimilados), a compreensão que hoje temos do fenômeno do letramento presta-se tanto para banir definitivamente as práticas mecânicas de ensino instrumental, como para se repensar na especificidade da alfabetização. Na ambivalência dessa revolução conceitual, encontra-se o desafio dos educadores em face do ensino da língua escria: o alfabetizar letrando.
2) O embate ideológico
Mais severo do que o embate conceitual, a oposição entre os dois modelos descritos por Street (1984) [vi] representa um posicionamento radicalmente diferente, tanto no que diz respeito às concepções implícita ou explicitamente assumidas quanto no que tange à pratica pedagógica por elas sustentadas.
O “Modelo Autônomo”, predominante em nossa sociedade, parte do princípio de que, independentemente do contexto de produção, a língua tem uma autonomia (resultado de uma lógica intrínseca) que só pode ser apreendida por um processo único, normalmente associado ao sucesso e desenvolvimento próprios de grupos “mais civilizados”.
Contagiada pela concepção de que o uso da escrita só é legitimo se atrelada ao padrão elitista da “norma culta” e que esta, por sua vez, pressupõe a compreensão de um inflexível funcionamento lingüístico, a escola tradicional sempre pautou o ensino pela progressão ordenada de conhecimentos: aprender a falar a língua dominante, assimilar as normas do sistema de escrita para, um dia (talvez nunca) fazer uso desse sistema em formas de manifestação previsíveis e valorizadas pela sociedade. Em síntese, uma prática reducionista pelo viés lingüístico e autoritária pelo significado político; uma metodologia etnocêntrica que, pela desconsideração do aluno, mais se presta a alimentar o quadro do fracasso escolar.
Em oposição, o “Modelo Ideológico” admite a pluralidade das práticas letradas, valorizando o seu significado cultural e contexto de produção. Rompendo definitivamente com a divisão entre o “momento de aprender” e o “momento de fazer uso da aprendizagem”, os estudos lingüísticos propõem a articulação dinâmica e reversível [vii] entre “descobrir a escrita” (conhecimento de suas funções e formas de manifestação), “aprender a escrita” (compreensão das regras e modos de funcionamento) e “usar a escrita” (cultivo de suas práticas a partir de um referencial culturalmente significativo para o sujeito). O esquema abaixo pretende ilustrar a integração das várias dimensões do aprender a ler e escrever no processo de alfabetizar letrando:

O significado do aprender a ler e a escrever
Ao permitir que as pessoas cultivem os hábitos de leitura e escrita e respondam aos apelos da cultura grafocêntrica, podendo inserir-se criticamente na sociedade, a aprendizagem da língua escrita deixa de ser uma questão estritamente pedagógica para alçar-se à esfera política, evidentemente pelo que representa o investimento na formação humana. Nas palavras de Emilia Ferreiro,
A escrita é importante na escola, porque é importante fora dela e não o contrário. (2001)
Retomando a tese defendida por Paulo Freire, os estudos sobre o letramento reconfiguraram a conotação política de uma conquista – a alfabetização - que não necessariamente se coloca a serviço da libertação humana. Muito pelo contrário, a história do ensino no Brasil, a despeito de eventuais boas intenções e das “ilhas de excelência”, tem deixado rastros de um índice sempre inaceitável de analfabetismo agravado pelo quadro nacional de baixo letramento.
O quadro da sociedade leitora no Brasil
Do mesmo modo como transformaram as concepções de língua escrita, redimensionaram as diretrizes para a alfabetização e ampliaram a reflexão sobre o significado dessa aprendizagem, os estudos sobre o letramento obrigam-nos a reconfigurar o quadro da sociedade leitora no Brasil. Ao lado do índice nacional de 16.295.000 analfabetos no país (IBGE, 2003), importa considerar um contingente de indivíduos que, embora formalmente alfabetizados, são incapazes de ler textos longos, localizar ou relacionar suas informações.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Pesquisa em Educação (INEP) indicam que os índices alcançados pela maioria dos alunos de 4ª série do Ensino Fundamental não ultrapassam os níveis “crítico” e “muito crítico”. Isso quer dizer que mesmo para as crianças que têm acesso à escola e que nela permanecem por mais de 3 anos, não há garantia de acesso autônomo às praticas sociais de leitura e escrita (Colello, 2003, Colello e Silva, 2003). Que escola é essa que não ensina a escrever?
Independentemente do vínculo escolar, essa mesma tendência parece confirmar-se pelo “Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional” (INAF), uma pesquisa realizada por amostragem representativa da população brasileira de jovens e adultos (de 15 a 64 anos de idade) [viii] : entre os 2000 entrevistados, 1475 eram analfabetos ou tinham pouca autonomia para ler ou escrever, e apenas 525 puderam ser considerados efetivos usuários da língua escrita. Indiscutivelmente, uma triste realidade!
Os motivos pelos quais tantos deixam de aprender a ler e a escrever
Por que será que tantas crianças e jovens deixam de aprender a ler e a escrever? Por que é tão difícil integrar-se de modo competente nas práticas sociais de leitura e escrita?
Se descartássemos as explicações mais simplistas (verdadeiros mitos da educação) que culpam o aluno pelo fracasso escolar; se admitíssemos que os chamados “problemas de aprendizagem” se explicam muito mais pelas relações estabelecidas na dinâmica da vida estudantil; se o desafio do ensino pudesse ser enfrentado a partir da necessidade de compreender o aluno para com ele estabelecer uma relação dialógica, significativa e compromissada com a construção do conhecimento; se as práticas pedagógicas pudessem transformar as iniciativas meramente instrucionais em intervenções educativas; talvez fosse possível compreender melhor o significado e a verdadeira extensão da não aprendizagem e do quadro de analfabetismo no Brasil.
Nesse sentido, os estudos sobre o letramento se prestam à fundamentação de pelo menos três hipóteses não excludentes para explicar o fracasso no ensino da língua escrita. Na mesma linha de argumentação dos educadores que evidenciaram os efeitos do “currículo oculto” nos resultados escolares de diferentes segmentos sociais, é preciso considerar, como ponto de partida, que as práticas letradas de diferentes comunidades (e portanto, as experiências de diferentes alunos) são muitas vezes distantes do enfoque que a escola costuma dar à escrita (o letramento tipicamente escolar). Lidar com essa diferença (as formas diversas de conceber e valorar a escrita, os diferentes usos, as várias linguagens, os possíveis posicionamentos do interlocutor, os graus diferenciados de familiaridade temática, as alternativas de instrumentos, portadores de textos e de práticas de produção e interpretação...) significa muitas vezes percorrer uma longa trajetória, cuja duração não está prevista nos padrões inflexíveis da programação curricular.
Em segundo lugar, é preciso considerar a reação do aprendiz em face da proposta pedagógica, muitas vezes autoritária, artificial e pouco significativa. Na dificuldade de lidar com a lógica do “aprenda primeiro para depois ver para que serve”, muitos alunos parecem pouco convencidos a mobilizar os seus esforços cognitivos em benefício do aprender a ler e a escrever (Carraher, Carraher e Schileimann, 1989; Colello, 2003, Colello e Silva, 2003). Essa típica postura de resistência ao artificialismo pedagógico em um contexto de falta de sintonia entre alunos e professores parece evidente na reivindicação da personagem Mafalda

Com ironia e bom humor, o exemplo acima explica o caso bastante freqüente de jovens inteligentes que aprenderam a lidar com tantas situações complexas da vida (aquisição da linguagem, transações de dinheiro, jogos de computador, atividades profissionais, regras e práticas esportivas entre outras), mas que não conseguem disponibilizar esse reconhecido potencial para superar a condição de analfabetismo e baixo letramento.
Por último, ao considerar os princípios do alfabetizar letrando (ou do Modelo Ideológico de letramento), devemos admitir que o processo de aquisição da língua escrita está fortemente vinculado a uma nova condição cognitiva e cultural. Paradoxalmente, a assimilação desse status (justamente aquilo que os educadores esperam de seus alunos como evidência de “desenvolvimento” ou de emancipação do sujeito) pode se configurar, na perspectiva do aprendiz, como motivos de resistência ao aprendizado: a negação de um mundo que não é o seu; o temor de perder suas raízes (sua história e referencial); o medo de abalar a primazia até então concedida à oralidade (sua mais típica forma de expressão), o receio de trair seus pares com o ingresso no mundo letrado e a insegurança na conquista da nova identidade (como “aluno bem-sucedido” ou como “sujeito alfabetizado” em uma cultura grafocêntrica altamente competitiva).
... a aprendizagem da língua escrita envolve um processo de aculturação – através, e na direção das práticas discursivas de grupos letrados - , não sendo, portanto, apenas um processo marcado pelo conflito, como todo processo de aprendizagem, mas também um processo de perda e de luta social. (...)
(...) há uma dimensão de poder envolvida no processo de aculturação efetivado na escola: aprender – ou não – a ler e escrever não equivale a aprender uma técnica ou um conjunto de conhecimentos. O que está envolvido para o aluno adulto é a aceitação ou o desafio e a rejeição dos pressupostos, concepções e práticas de um grupo dominante – a saber, as práticas de letramento desses grupos entre as quais se incluem a leitura e a produção de textos em diversas instituições, bem como as formas legitimadas de se falar desses textos -, e o conseqüente abandono (e rejeição) das práticas culturais primárias de seu grupo subalterno que, até esse momento, eram as que lhe permitiam compreender o mundo. (Kleiman, 2001, p. 271)
Como exemplo de um mecanismo de resistência ao mundo letrado construído por práticas pedagógicas (ainda que involuntariamnete ideologizantes) no cotidiano da sala de aula, Kleiman (2001) expõe o caso de um grupo de jovens que se rebelaram ante a proposta da professora de examinar bulas de remédio. Como recurso didático até bem intencionado, o objetivo da tarefa era o de aproximar os alunos da escrita, favorecendo a compreensão de seus usos, nesse caso, chamando a sua atenção para os perigos da auto-medicação e para a importância de se informar antes de tomar uma medicação (posologia, reações adversas, efeitos colaterais, etc). Do ponto de vista dos alunos, o repúdio à tarefa, à escola e muito provavelmente à escrita foi uma reação contra a implícita proposta de fazer parte de um mundo ao qual nem todos podem ter livre acesso: o mundo da medicina, da possibilidade de ser acompanhado por um médico e da compra de remédios.
Na prática, a desconsideração dos significados implícitos do processo de alfabetização - o longo e difícil caminho que o sujeito pouco letrado tem a percorrer, a reação dele em face da artificialidade das práticas pedagógica e a negação do mundo letrado – acaba por expulsar o aluno da escola, um destino cruel, mas evitável se o professor souber instituir em classe uma interação capaz de mediar as tensões, negociar significados e construir novos contextos de inserção social.
Perspectivas das pesquisas sobre letramento
Embora o termo “letramento” remeta a uma dimensão complexa e plural das práticas sociais de uso da escrita, a apreensão de uma dada realidade, seja ela de um determinado grupo social ou de um campo específico de conhecimento (ou prática profissional) motivou a emergência de inúmeros estudos a respeito de suas especificidades. É por isso que, nos meios educacionais e acadêmicos, vemos surgir a referência no plural “letramentos”.
Mesmo correndo o risco de inadequação terminológica, ganhamos a possibilidade de repensar o trânsito do homem na diversidade dos “mundos letrados”, cada um deles marcado pela especificidade de um universo. Desta forma, é possível confrontar diferentes realidades, como por exemplo o “letramento social” com o “letramento escolar”; analisar particularidades culturais, como por exemplo o “letramento das comunidades operárias da periferia de São Paulo”, ou ainda compreender as exigências de aprendizagem em uma área específica, como é o caso do “letramento científico”, “letramento musical” o “letramento da informática ou dos internautas”. Em cada um desses universos, é possível delinear práticas (comportamentos exercidos por um grupo de sujeitos e concepções assumidas que dão sentido a essas manifestações) e eventos (situações compartilhadas de usos da escrita) como focos interdependentes de uma mesma realidade (Soares, 2003). A aproximação com as especificidades permite não só identificar a realidade de um grupo ou campo em particular (suas necessidades, características, dificuldades, modos de valoração da escrita), como também ajustar medidas de intervenção pedagógica, avaliando suas conseqüências. No caso de programas de alfabetização, a relevância de tais pesquisas é assim defendida por Kleiman:
Se por meio das grandes pesquisas quantitativas, podemos conhecer onde e quando intervir em nível global, os estudos acadêmicos qualitativos, geralmente de tipo etnográfico, permitem conhecer as perspectivas específicas dos usuários e os contextos de uso e apropriação da escrita, permitindo, portanto, avaliar o impacto das intervenções e até, de forma semelhante à das macro análises, procurar tendências gerais capazes de subsidiar as políticas de implementação de programas. (2001, p. 269)
***
Sem a pretensão de esgotar o tema, a breve análise do impacto e contribuição dos estudos sobre letramento aqui desenvolvida aponta para a necessidade de aproximar, no campo da educação, teoria e prática. Na sutura entre concepções, implicações pedagógicas, reconfiguração de metas e quadros de referência, hipóteses explicativas e perspectivas de investigação, talvez possamos encontrar subsídios e alternativas para a transformação da sociedade leitora no Brasil, uma realidade politicamente inaceitável e, pedagogicamente, aquém de nossos ideais.
Silvia M. Gasparian Colello
QUERIDAS ALUNAS DO MAGISTÉRIO ,
Um texto para vocês estudarem para a avaliação , haverá duas questões lá .Leiam e faça sua reflexão:
Alfabetização e Letramento
Alfabetização e Letramento:
Repensando o Ensino da Língua Escrita
Se, no início da década de 80, os estudos acerca da psicogênese da língua escrita trouxeram aos educadores o entendimento de que a alfabetização, longe de ser a apropriação de um código, envolve um complexo processo de elaboração de hipóteses sobre a representação lingüística; os anos que se seguiram, com a emergência dos estudos sobre o letramento [i] , foram igualmente férteis na compreensão da dimensão sócio-cultural da língua escrita e de seu aprendizado. Em estreita sintonia, ambos os movimentos, nas suas vertentes teórico-conceituais, romperam definitivamente com a segregação dicotômica entre o sujeito que aprende e o professor que ensina. Romperam também com o reducionismo que delimitava a sala de aula como o único espaço de aprendizagem.
Reforçando os princípios antes propalados por Vygotsky e Piaget, a aprendizagem se processa em uma relação interativa entre o sujeito e a cultura em que vive. Isso quer dizer que, ao lado dos processos cognitivos de elaboração absolutamente pessoal (ninguém aprende pelo outro), há um contexto que, não só fornece informações específicas ao aprendiz, como também motiva, dá sentido e “concretude” ao aprendido, e ainda condiciona suas possibilidades efetivas de aplicação e uso nas situações vividas. Entre o homem e o saberes próprios de sua cultura, há que se valorizar os inúmeros agentes mediadores da aprendizagem (não só o professor, nem só a escola, embora estes sejam agentes privilegiados pela sistemática pedagogicamente planejada, objetivos e intencionalidade assumida).
O objetivo do presente artigo é apresentar o impacto dos estudos sobre o letramento para as práticas alfabetizadoras.
Capitaneada pelas publicações de Angela Kleiman, (95) Magda Soares (95, 98) e Tfouni (95), a concepção de letramento contribuiu para redimensionar a compreensão que hoje temos sobre: a) as dimensões do aprender a ler e a escrever; b) o desafio de ensinar a ler e a escrever; c) o significado do aprender a ler e a escrever, c) o quadro da sociedade leitora no Brasil d) os motivos pelos quais tantos deixam de aprender a ler e a escrever, e e) as próprias perspectivas das pesquisas sobre letramento.
As dimensões do aprender a ler e a escrever
Durante muito tempo a alfabetização foi entendida como mera sistematização do “B + A = BA”, isto é, como a aquisição de um código fundado na relação entre fonemas e grafemas. Em uma sociedade constituída em grande parte por analfabetos e marcada por reduzidas práticas de leitura e escrita, a simples consciência fonológica que permitia aos sujeitos associar sons e letras para produzir/interpretar palavras (ou frases curtas) parecia ser suficiente para diferenciar o alfabetizado do analfabeto.
Com o tempo, a superação do analfabetismo em massa e a crescente complexidade de nossas sociedades fazem surgir maiores e mais variadas práticas de uso da língua escrita. Tão fortes são os apelos que o mundo letrado exerce sobre as pessoas que já não lhes basta a capacidade de desenhar letras ou decifrar o código da leitura. Seguindo a mesma trajetória dos países desenvolvidos, o final do século XX impôs a praticamente todos os povos a exigência da língua escrita não mais como meta de conhecimento desejável, mas como verdadeira condição para a sobrevivência e a conquista da cidadania. Foi no contexto das grandes transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas que o termo “letramento” surgiu [ii] , ampliando o sentido do que tradicionalmente se conhecia por alfabetização (Soares, 2003).
Hoje, tão importante quanto conhecer o funcionamento do sistema de escrita é poder se engajar em práticas sociais letradas, respondendo aos inevitáveis apelos de uma cultura grafocêntrica. Assim,
Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade (Tfouni, 1995, p. 20).
Com a mesma preocupação em diferenciar as práticas escolares de ensino da língua escrita e a dimensão social das várias manifestações escritas em cada comunidade, Kleiman, apoiada nos estudos de Scribner e Cole, define o letramento como
... um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos. As práticas específicas da escola, que forneciam o parâmetro de prática social segundo a qual o letramento era definido, e segundo a qual os sujeitos eram classificados ao longo da dicotomia alfabetizado ou não-alfabetizado, passam a ser, em função dessa definição, apenas um tipo de prática – de fato, dominante – que desenvolve alguns tipos de habilidades mas não outros, e que determina uma forma de utilizar o conhecimento sobre a escrita. (1995, p. 19)
Mais do que expor a oposição entre os conceitos de “alfabetização” e “letramento”, Soares valoriza o impacto qualitativo que este conjunto de práticas sociais representa para o sujeito, extrapolando a dimensão técnica e instrumental do puro domínio do sistema de escrita:
Alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita. Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita denomina-se Letramento que implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos (In Ribeiro, 2003, p. 91).
Ao permitir que o sujeito interprete, divirta-se, seduza, sistematize, confronte, induza, documente, informe, oriente-se, reivindique, e garanta a sua memória, o efetivo uso da escrita garante-lhe uma condição diferenciada na sua relação com o mundo, um estado não necessariamente conquistado por aquele que apenas domina o código (Soares, 1998). Por isso, aprender a ler e a escrever implica não apenas o conhecimento das letras e do modo de decodificá-las (ou de associá-las), mas a possibilidade de usar esse conhecimento em benefício de formas de expressão e comunicação, possíveis, reconhecidas, necessárias e legítimas em um determinado contexto cultural. Em função disso,
Talvez a diretriz pedagógica mais importante no trabalho (...dos professores), tanto na pré-escola quanto no ensino médio, seja a utilização da escrita verdadeira [iii] nas diversas atividades pedagógicas, isto é, a utilização da escrita, em sala, correspondendo às formas pelas quais ela é utilizada verdadeiramente nas práticas sociais. Nesta perspectiva, assume-se que o ponto de partida e de chegada do processo de alfabetização escolar é o texto: trecho falado ou escrito, caracterizado pela unidade de sentido que se estabelece numa determinada situação discursiva. (Leite, p. 25)
O desafio de ensinar a ler e a escreverPartindo da concepção da língua escrita como sistema formal (de regras, convenções e normas de funcionamento) que se legitima pela possibilidade de uso efetivo nas mais diversas situações e para diferentes fins, somos levados a admitir o paradoxo inerente à própria língua: por um lado, uma estrutura suficientemente fechada que não admite transgressões sob pena de perder a dupla condição de inteligibilidade e comunicação; por outro, um recurso suficientemente aberto que permite dizer tudo, isto é, um sistema permanentemente disponível ao poder humano de criação (Geraldi, 93).
Como conciliar essas duas vertentes da língua em um único sistema de ensino? Na análise dessa questão, dois embates merecem destaque: o conceitual e o ideológico.
1) O embate conceitual
Tendo em vista a independência e a interdependência entre alfabetização e letramento (processos paralelos [iv] , simultâneos ou não [v] , mas que indiscutivelmente se complementam), alguns autores contestam a distinção de ambos os conceitos, defendendo um único e indissociável processo de aprendizagem (incluindo a compreensão do sistema e sua possibilidade de uso). Em uma concepção progressista de “alfabetização” (nascida em oposição às práticas tradicionais, a partir dos estudos psicogenéticos dos anos 80), o processo de alfabetização incorpora a experiência do letramento e este não passa de uma redundância em função de como o ensino da língua escrita já é concebido. Questionada formalmente sobre a “novidade conceitual” da palavra “letramento”, Emilia Ferreiro explicita assim a sua rejeição ao uso do termo:
Há algum tempo, descobriram no Brasil que se poderia usar a expressão letramento. E o que aconteceu com a alfabetização? Virou sinônimo de decodificação. Letramento passou a ser o estar em contato com distintos tipos de texto, o compreender o que se lê. Isso é um retrocesso. Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica. (2003, p. 30)
Note-se, contudo, que a oposição da referida autora circunscreve-se estritamente ao perigo da dissociação entre o aprender a escrever e o usar a escrita (“retrocesso” porque representa a volta da tradicional compreensão instrumental da escrita). Como árdua defensora de práticas pedagógicas contextualizadas e significativa para o sujeito, o trabalho de Emília Ferreiro, tal como o dos estudiosos do letramento, apela para o resgate das efetivas práticas sociais de língua escrita o que faz da oposição entre eles um mero embate conceitual.
Tomando os dois extremos como ênfases nefastas à aprendizagem da língua escrita (priorizando a aprendizagem do sistema ou privilegiando apenas as práticas sociais de aproximação do aluno com os textos), Soares defende a complementaridade e o equilíbrio entre ambos e chama a atenção para o valor da distinção terminológica:
Porque alfabetização e letramento são conceitos freqüentemente confundidos ou sobrepostos, é importante distingui-los, ao mesmo tempo que é importante também aproximá-los: a distinção é necessária porque a introdução, no campo da educação, do conceito de letramento tem ameaçado perigosamente a especificidade do processo de alfabetização; por outro lado, a aproximação é necessária porque não só o processo de alfabetização, embora distinto e específico, altera-se e reconfigura-se no quadro do conceito de letramento, como também este é dependente daquele. (2003, p. 90)
Assim como a autora, é preciso reconhecer o mérito teórico e conceitual de ambos os termos. Balizando o movimento pendular das propostas pedagógicas (não raro transformados em modismos banais e mal assimilados), a compreensão que hoje temos do fenômeno do letramento presta-se tanto para banir definitivamente as práticas mecânicas de ensino instrumental, como para se repensar na especificidade da alfabetização. Na ambivalência dessa revolução conceitual, encontra-se o desafio dos educadores em face do ensino da língua escria: o alfabetizar letrando.
2) O embate ideológico
Mais severo do que o embate conceitual, a oposição entre os dois modelos descritos por Street (1984) [vi] representa um posicionamento radicalmente diferente, tanto no que diz respeito às concepções implícita ou explicitamente assumidas quanto no que tange à pratica pedagógica por elas sustentadas.
O “Modelo Autônomo”, predominante em nossa sociedade, parte do princípio de que, independentemente do contexto de produção, a língua tem uma autonomia (resultado de uma lógica intrínseca) que só pode ser apreendida por um processo único, normalmente associado ao sucesso e desenvolvimento próprios de grupos “mais civilizados”.
Contagiada pela concepção de que o uso da escrita só é legitimo se atrelada ao padrão elitista da “norma culta” e que esta, por sua vez, pressupõe a compreensão de um inflexível funcionamento lingüístico, a escola tradicional sempre pautou o ensino pela progressão ordenada de conhecimentos: aprender a falar a língua dominante, assimilar as normas do sistema de escrita para, um dia (talvez nunca) fazer uso desse sistema em formas de manifestação previsíveis e valorizadas pela sociedade. Em síntese, uma prática reducionista pelo viés lingüístico e autoritária pelo significado político; uma metodologia etnocêntrica que, pela desconsideração do aluno, mais se presta a alimentar o quadro do fracasso escolar.
Em oposição, o “Modelo Ideológico” admite a pluralidade das práticas letradas, valorizando o seu significado cultural e contexto de produção. Rompendo definitivamente com a divisão entre o “momento de aprender” e o “momento de fazer uso da aprendizagem”, os estudos lingüísticos propõem a articulação dinâmica e reversível [vii] entre “descobrir a escrita” (conhecimento de suas funções e formas de manifestação), “aprender a escrita” (compreensão das regras e modos de funcionamento) e “usar a escrita” (cultivo de suas práticas a partir de um referencial culturalmente significativo para o sujeito). O esquema abaixo pretende ilustrar a integração das várias dimensões do aprender a ler e escrever no processo de alfabetizar letrando:

O significado do aprender a ler e a escrever
Ao permitir que as pessoas cultivem os hábitos de leitura e escrita e respondam aos apelos da cultura grafocêntrica, podendo inserir-se criticamente na sociedade, a aprendizagem da língua escrita deixa de ser uma questão estritamente pedagógica para alçar-se à esfera política, evidentemente pelo que representa o investimento na formação humana. Nas palavras de Emilia Ferreiro,
A escrita é importante na escola, porque é importante fora dela e não o contrário. (2001)
Retomando a tese defendida por Paulo Freire, os estudos sobre o letramento reconfiguraram a conotação política de uma conquista – a alfabetização - que não necessariamente se coloca a serviço da libertação humana. Muito pelo contrário, a história do ensino no Brasil, a despeito de eventuais boas intenções e das “ilhas de excelência”, tem deixado rastros de um índice sempre inaceitável de analfabetismo agravado pelo quadro nacional de baixo letramento.
O quadro da sociedade leitora no Brasil
Do mesmo modo como transformaram as concepções de língua escrita, redimensionaram as diretrizes para a alfabetização e ampliaram a reflexão sobre o significado dessa aprendizagem, os estudos sobre o letramento obrigam-nos a reconfigurar o quadro da sociedade leitora no Brasil. Ao lado do índice nacional de 16.295.000 analfabetos no país (IBGE, 2003), importa considerar um contingente de indivíduos que, embora formalmente alfabetizados, são incapazes de ler textos longos, localizar ou relacionar suas informações.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Pesquisa em Educação (INEP) indicam que os índices alcançados pela maioria dos alunos de 4ª série do Ensino Fundamental não ultrapassam os níveis “crítico” e “muito crítico”. Isso quer dizer que mesmo para as crianças que têm acesso à escola e que nela permanecem por mais de 3 anos, não há garantia de acesso autônomo às praticas sociais de leitura e escrita (Colello, 2003, Colello e Silva, 2003). Que escola é essa que não ensina a escrever?
Independentemente do vínculo escolar, essa mesma tendência parece confirmar-se pelo “Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional” (INAF), uma pesquisa realizada por amostragem representativa da população brasileira de jovens e adultos (de 15 a 64 anos de idade) [viii] : entre os 2000 entrevistados, 1475 eram analfabetos ou tinham pouca autonomia para ler ou escrever, e apenas 525 puderam ser considerados efetivos usuários da língua escrita. Indiscutivelmente, uma triste realidade!
Os motivos pelos quais tantos deixam de aprender a ler e a escrever
Por que será que tantas crianças e jovens deixam de aprender a ler e a escrever? Por que é tão difícil integrar-se de modo competente nas práticas sociais de leitura e escrita?
Se descartássemos as explicações mais simplistas (verdadeiros mitos da educação) que culpam o aluno pelo fracasso escolar; se admitíssemos que os chamados “problemas de aprendizagem” se explicam muito mais pelas relações estabelecidas na dinâmica da vida estudantil; se o desafio do ensino pudesse ser enfrentado a partir da necessidade de compreender o aluno para com ele estabelecer uma relação dialógica, significativa e compromissada com a construção do conhecimento; se as práticas pedagógicas pudessem transformar as iniciativas meramente instrucionais em intervenções educativas; talvez fosse possível compreender melhor o significado e a verdadeira extensão da não aprendizagem e do quadro de analfabetismo no Brasil.
Nesse sentido, os estudos sobre o letramento se prestam à fundamentação de pelo menos três hipóteses não excludentes para explicar o fracasso no ensino da língua escrita. Na mesma linha de argumentação dos educadores que evidenciaram os efeitos do “currículo oculto” nos resultados escolares de diferentes segmentos sociais, é preciso considerar, como ponto de partida, que as práticas letradas de diferentes comunidades (e portanto, as experiências de diferentes alunos) são muitas vezes distantes do enfoque que a escola costuma dar à escrita (o letramento tipicamente escolar). Lidar com essa diferença (as formas diversas de conceber e valorar a escrita, os diferentes usos, as várias linguagens, os possíveis posicionamentos do interlocutor, os graus diferenciados de familiaridade temática, as alternativas de instrumentos, portadores de textos e de práticas de produção e interpretação...) significa muitas vezes percorrer uma longa trajetória, cuja duração não está prevista nos padrões inflexíveis da programação curricular.
Em segundo lugar, é preciso considerar a reação do aprendiz em face da proposta pedagógica, muitas vezes autoritária, artificial e pouco significativa. Na dificuldade de lidar com a lógica do “aprenda primeiro para depois ver para que serve”, muitos alunos parecem pouco convencidos a mobilizar os seus esforços cognitivos em benefício do aprender a ler e a escrever (Carraher, Carraher e Schileimann, 1989; Colello, 2003, Colello e Silva, 2003). Essa típica postura de resistência ao artificialismo pedagógico em um contexto de falta de sintonia entre alunos e professores parece evidente na reivindicação da personagem Mafalda

Com ironia e bom humor, o exemplo acima explica o caso bastante freqüente de jovens inteligentes que aprenderam a lidar com tantas situações complexas da vida (aquisição da linguagem, transações de dinheiro, jogos de computador, atividades profissionais, regras e práticas esportivas entre outras), mas que não conseguem disponibilizar esse reconhecido potencial para superar a condição de analfabetismo e baixo letramento.
Por último, ao considerar os princípios do alfabetizar letrando (ou do Modelo Ideológico de letramento), devemos admitir que o processo de aquisição da língua escrita está fortemente vinculado a uma nova condição cognitiva e cultural. Paradoxalmente, a assimilação desse status (justamente aquilo que os educadores esperam de seus alunos como evidência de “desenvolvimento” ou de emancipação do sujeito) pode se configurar, na perspectiva do aprendiz, como motivos de resistência ao aprendizado: a negação de um mundo que não é o seu; o temor de perder suas raízes (sua história e referencial); o medo de abalar a primazia até então concedida à oralidade (sua mais típica forma de expressão), o receio de trair seus pares com o ingresso no mundo letrado e a insegurança na conquista da nova identidade (como “aluno bem-sucedido” ou como “sujeito alfabetizado” em uma cultura grafocêntrica altamente competitiva).
... a aprendizagem da língua escrita envolve um processo de aculturação – através, e na direção das práticas discursivas de grupos letrados - , não sendo, portanto, apenas um processo marcado pelo conflito, como todo processo de aprendizagem, mas também um processo de perda e de luta social. (...)
(...) há uma dimensão de poder envolvida no processo de aculturação efetivado na escola: aprender – ou não – a ler e escrever não equivale a aprender uma técnica ou um conjunto de conhecimentos. O que está envolvido para o aluno adulto é a aceitação ou o desafio e a rejeição dos pressupostos, concepções e práticas de um grupo dominante – a saber, as práticas de letramento desses grupos entre as quais se incluem a leitura e a produção de textos em diversas instituições, bem como as formas legitimadas de se falar desses textos -, e o conseqüente abandono (e rejeição) das práticas culturais primárias de seu grupo subalterno que, até esse momento, eram as que lhe permitiam compreender o mundo. (Kleiman, 2001, p. 271)
Como exemplo de um mecanismo de resistência ao mundo letrado construído por práticas pedagógicas (ainda que involuntariamnete ideologizantes) no cotidiano da sala de aula, Kleiman (2001) expõe o caso de um grupo de jovens que se rebelaram ante a proposta da professora de examinar bulas de remédio. Como recurso didático até bem intencionado, o objetivo da tarefa era o de aproximar os alunos da escrita, favorecendo a compreensão de seus usos, nesse caso, chamando a sua atenção para os perigos da auto-medicação e para a importância de se informar antes de tomar uma medicação (posologia, reações adversas, efeitos colaterais, etc). Do ponto de vista dos alunos, o repúdio à tarefa, à escola e muito provavelmente à escrita foi uma reação contra a implícita proposta de fazer parte de um mundo ao qual nem todos podem ter livre acesso: o mundo da medicina, da possibilidade de ser acompanhado por um médico e da compra de remédios.
Na prática, a desconsideração dos significados implícitos do processo de alfabetização - o longo e difícil caminho que o sujeito pouco letrado tem a percorrer, a reação dele em face da artificialidade das práticas pedagógica e a negação do mundo letrado – acaba por expulsar o aluno da escola, um destino cruel, mas evitável se o professor souber instituir em classe uma interação capaz de mediar as tensões, negociar significados e construir novos contextos de inserção social.
Perspectivas das pesquisas sobre letramento
Embora o termo “letramento” remeta a uma dimensão complexa e plural das práticas sociais de uso da escrita, a apreensão de uma dada realidade, seja ela de um determinado grupo social ou de um campo específico de conhecimento (ou prática profissional) motivou a emergência de inúmeros estudos a respeito de suas especificidades. É por isso que, nos meios educacionais e acadêmicos, vemos surgir a referência no plural “letramentos”.
Mesmo correndo o risco de inadequação terminológica, ganhamos a possibilidade de repensar o trânsito do homem na diversidade dos “mundos letrados”, cada um deles marcado pela especificidade de um universo. Desta forma, é possível confrontar diferentes realidades, como por exemplo o “letramento social” com o “letramento escolar”; analisar particularidades culturais, como por exemplo o “letramento das comunidades operárias da periferia de São Paulo”, ou ainda compreender as exigências de aprendizagem em uma área específica, como é o caso do “letramento científico”, “letramento musical” o “letramento da informática ou dos internautas”. Em cada um desses universos, é possível delinear práticas (comportamentos exercidos por um grupo de sujeitos e concepções assumidas que dão sentido a essas manifestações) e eventos (situações compartilhadas de usos da escrita) como focos interdependentes de uma mesma realidade (Soares, 2003). A aproximação com as especificidades permite não só identificar a realidade de um grupo ou campo em particular (suas necessidades, características, dificuldades, modos de valoração da escrita), como também ajustar medidas de intervenção pedagógica, avaliando suas conseqüências. No caso de programas de alfabetização, a relevância de tais pesquisas é assim defendida por Kleiman:
Se por meio das grandes pesquisas quantitativas, podemos conhecer onde e quando intervir em nível global, os estudos acadêmicos qualitativos, geralmente de tipo etnográfico, permitem conhecer as perspectivas específicas dos usuários e os contextos de uso e apropriação da escrita, permitindo, portanto, avaliar o impacto das intervenções e até, de forma semelhante à das macro análises, procurar tendências gerais capazes de subsidiar as políticas de implementação de programas. (2001, p. 269)
***
Sem a pretensão de esgotar o tema, a breve análise do impacto e contribuição dos estudos sobre letramento aqui desenvolvida aponta para a necessidade de aproximar, no campo da educação, teoria e prática. Na sutura entre concepções, implicações pedagógicas, reconfiguração de metas e quadros de referência, hipóteses explicativas e perspectivas de investigação, talvez possamos encontrar subsídios e alternativas para a transformação da sociedade leitora no Brasil, uma realidade politicamente inaceitável e, pedagogicamente, aquém de nossos ideais.
Silvia M. Gasparian Colello
sexta-feira, 11 de março de 2011
Projeto : Mitos 7º Ano
Quem um dia não quis ser um herói ou uma heroína, lutar contra o mal
e destacar-se por feitos de coragem e ousadia? Esse desejo humano não é
recente. Vamos conhecer as histórias fantasiosas de destemidos heróis, como
Hércules, Aquiles, Perseu, Ícaro e outros. Para eles, os limites existiam apenas para ser quebrados.
Objetivo
O projeto pretende contribuir para a formação do leitor-escritor, isto é, que o nosso aluno possa interagir com a diversidade de textos, especialmente os da Tradição Cultural da Humanidade, como os mitos, “familiarizar-se” com as diferentes linguagens, interpretar esses textos, trazendo-os para a sua realidade e recriá-los ou reproduzi-los, assim atribuindo sentido ao que foi lido.
Justificativa
A mitologia de um povo constitui uma fonte inesgotável de saber. A partir dela é possível aprender tudo que existe no mundo e essa aprendizagem se dá por meio da linguagem. É importante que os alunos saibam que o mito é uma narrativa sagrada que tem por personagens seres sobrenaturais e que procura dar ao homem respostas vitais para a existência. São histórias tradicionais que, antes de serem escritas, eram transmitidas oralmente. Sua característica principal é a tentativa de explicar o porquê das coisas, como a genealogia dos deuses, a criação do mundo e dos humanos, a ocorrência de fenômenos da natureza, a origem de alguns fatos históricos e de heróis. Nessas narrativas sempre aparece a figura das divindades, ou seja, dos Deuses.
Etapas do Desenvolvimento
- Resgatar o conhecimento prévio do educando acerca de suas referências sobre mitologia greco-romano. A partir de frases contendo expressões idiomáticas que se referem a mitos greco-romanos. O aluno reflete sobre o sentido dessas expressões e comenta se conhece as histórias a que elas remetem.
- Leitura de mitos na biblioteca da escola.
- Alguns mitos são apresentados pela professora (Dédalo e Ícaro, Minotauro, Eco e Narciso, A caixa de Pandora, Eros e Psique e outros).
- Diálogos entre textos: intertextualidade
Participe com seus colegas de grupo da montagem de um livro de histórias, de uma revista em quadrinhos e de uma mostra sobre heróis de todos os tempos
Leitura:
· Textos relacionados ao tema do herói: o herói mítico, o herói do cinema e
dos quadrinhos e o herói de todo dia.
Literatura : Deuses e Mitos da Mitologia Grega e Latina
e destacar-se por feitos de coragem e ousadia? Esse desejo humano não é
recente. Vamos conhecer as histórias fantasiosas de destemidos heróis, como
Hércules, Aquiles, Perseu, Ícaro e outros. Para eles, os limites existiam apenas para ser quebrados.
Objetivo
O projeto pretende contribuir para a formação do leitor-escritor, isto é, que o nosso aluno possa interagir com a diversidade de textos, especialmente os da Tradição Cultural da Humanidade, como os mitos, “familiarizar-se” com as diferentes linguagens, interpretar esses textos, trazendo-os para a sua realidade e recriá-los ou reproduzi-los, assim atribuindo sentido ao que foi lido.
Justificativa
A mitologia de um povo constitui uma fonte inesgotável de saber. A partir dela é possível aprender tudo que existe no mundo e essa aprendizagem se dá por meio da linguagem. É importante que os alunos saibam que o mito é uma narrativa sagrada que tem por personagens seres sobrenaturais e que procura dar ao homem respostas vitais para a existência. São histórias tradicionais que, antes de serem escritas, eram transmitidas oralmente. Sua característica principal é a tentativa de explicar o porquê das coisas, como a genealogia dos deuses, a criação do mundo e dos humanos, a ocorrência de fenômenos da natureza, a origem de alguns fatos históricos e de heróis. Nessas narrativas sempre aparece a figura das divindades, ou seja, dos Deuses.
Etapas do Desenvolvimento
- Resgatar o conhecimento prévio do educando acerca de suas referências sobre mitologia greco-romano. A partir de frases contendo expressões idiomáticas que se referem a mitos greco-romanos. O aluno reflete sobre o sentido dessas expressões e comenta se conhece as histórias a que elas remetem.
- Leitura de mitos na biblioteca da escola.
- Alguns mitos são apresentados pela professora (Dédalo e Ícaro, Minotauro, Eco e Narciso, A caixa de Pandora, Eros e Psique e outros).
- Diálogos entre textos: intertextualidade
Participe com seus colegas de grupo da montagem de um livro de histórias, de uma revista em quadrinhos e de uma mostra sobre heróis de todos os tempos
Leitura:
· Textos relacionados ao tema do herói: o herói mítico, o herói do cinema e
dos quadrinhos e o herói de todo dia.
Literatura : Deuses e Mitos da Mitologia Grega e Latina
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